domingo, 5 de fevereiro de 2012

كلام

            
         Eu não escolho as palavras elas me escolhem, surgem em minha mente, e quando não as deleto por incompatibilidade as pronuncio sem pensar no efeito que causarão, ou escrevo-as  sem refletir se combinarão  entre si. 
  São palavras e não devem ser meticulosamente medidas nem irresponsavelmente sorteadas, apenas amorosamente pronunciadas.

Palavra – Sinônimos -  afirmação, declaração , discurso,  dito,  doutrina,  expressão,  fala,   promessa,  termo,  verbo,  vocábulo,  voz (   http://www.dicsin.com.br/content/dicsin_lista.php )

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Repleta de Mim!

            Não preciso de motivos que justifiquem a minha existência, nem de razões que legitimem a minha vida. O sucesso profissional não massageia o meu ego, bem como os relacionamentos sociais não contribuem para minha alegria. Mais uma vez a minha felicidade está pautada na minha capacidade de ser. Estou REPLETA DE MIM!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O Apego que me resta!

          Muitas vezes deixo de reparar nos efeitos que me causa a sua ausência. Como muda meu modo de pensar, de agir, de respirar. Não sei se sou mais eu com ou sem você. Suas pequenas doses repercutem intensivamente no meu dia a dia. Minto, finjo não sentir sua falta, mas já não consigo disfarçar a abstinência que o meu corpo tem de você. Não sei se é vício, dependência psíquica, física ou espiritual, só desconheço solução melhor do que te engolir todos os dias. 
        Meus amigos dizem que não é bom pra mim, meus pais me proíbem de ignorá-lo, os estranhos não entendem seus motivos, mas só eu sei até onde consigo ir sem você. Nunca menosprezei seu potencial, suas contra-indicações não estão no meu perfil. Talvez seja por isso que insistem em dizer que tenho uma boa tolerância a sua droga. 
         Se não fosse por você eu ainda seria portadora de uma das melhores memórias fotográficas que se tem conhecimento, não me esqueceria do rosto de todas as pessoas que por mim passaram, lembraria com nitidez de todas as minhas falas dos dias anteriores e estaria sempre segura de que os dias realmente importantes jamais seriam esquecidos. 
      Eu demorei a perceber que era você o principal colaborador de alguns dos maiores males do meu ser.        
          Quando eu o abandonei, você gritou! E eu escutei! Sua ausência me levou a conhecer as profundezas da depressão. As lagrimas e o choro soluçado e desmotivado se tornaram rotina nos meus dias me levando a reconsiderá-lo em minha vida. Hoje sobrevivo com 1/6 de você, conseguimos ficar distantes por um dia inteiro. Ainda é o apego que me resta, o mal necessário que me salva do abismo da cataplexia!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Projeção

Eu sou sua projeção de perfeição. Aquela que obteve tudo que vilmente você nega por não admitir desejar e por medo de nunca conseguir obter.
Minhas ações são seus mais profundos anseios, minhas atitudes são suas vontades obscuras, meu ser é o seu querer ser.
Mais por receio de incapacidade do que por preconceito você ignora e rejeita essa inveja incansável que tenta transformar em desprezo. Idolatrando tudo que é contrario ao meu eu e criticando tudo que se refere a minha pessoa você disfarça a impotência de indiferença.
Talvez seja melhor assim. O seu papel requer interpretação da velha chata que acredita ser a jovem bela. Só esquece que jovens belas não são rabugentas e caretas, e muito menos gordas e indigestas.
Apenas peço que poupe seus esforços, não irei reduzir o meu potencial para curar suas moléstias. Solidariedade é uma das minhas virtudes mas não tenho vocação de hospedeira parasitária.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Novata


             No recente momento me flagro em súbito estado de contradição. Sinto-me como um ser estranho que não se adaptou ainda ao corpo que foi lhe dado. Necessariamente ao corpo, porque seria no mínimo bizarro estranhar um corpo ao qual se está inserido há mais de duas décadas, mas a condição a que esse corpo pertence.
         À medida que os anos passam o meu ser se transforma intensivamente e passa por diferentes estágios de adaptação. No momento sinto como se meu eu estivesse passando por uma metamorfose psicológica e espiritual da qual o resultado ainda é desconhecido.
       Surge um conflito com o antigo casulo que sofre um estagio de dificuldade de aceitação com a nova velha forma. Como se ainda não conhecesse por inteiro o ser que habita o outro lado do espelho, e embora os meus olhos não mintam refletindo de fato a imagem correspondente minha mente insiste em enxergar aquilo que se acostumou a ver, o estagio evolutivo antessente ao atual.
        Sinto como nunca, uma intensa dificuldade de adorar esse novo eu como adorara os outros. Talvez devido ao fato de se tratar de uma desconhecida que anseia por novos cuidados e uma integração com os conterrâneos.
        Mas devo dar boas vidas a essa recém-chegada, e devo dizer-lhe que espero do fundo do peito, ou de qualquer outra cavidade corpórea correspondente aos sentimentos, que ela seja amada, entendida, e idolatrada tanto ou mais que as anteriores. Farei o possível e o impossível para que isso ocorra da forma mais plena e sincera o possível.
        Apesar de toda essa recente dificuldade de identificação comigo mesma, me sinto bem em perceber que algumas coisas não mudaram, como a agradável sensação de andar de bicicleta no sol, o gosto por imagens e desenhos modais, e a magicalidade que a dança exerce sobre o meu ser.
       Já consigo perceber qualidades exclusivas dessa novata, sua escrita e indiscutivelmente mais madura e clara, com um vocabulário cada vez mais rico e aprimorado, sua capacidade de enxergar as situações por ângulos distintos e brilhantes, sem contar na falta de vitimização contínua, substituída pela adoção de atitudes mais prudentes e sensatas.

sábado, 25 de junho de 2011

Sinto que é como sonhar

"Ficou claro que o que enxergo não faz parte da vasta participação que meu mundo tinha quando eu abria - fechava - os olhos. A vertigem e o medo de cair tem quase me tomado o fôlego por completo. A altitude e o medo de novos horizontes tem me impossibilitado de sentir o vento e abrir meus braços. Cheguei no meu limite. Procurei algo alcançável para me segurar, porém me ligar ao que restou do passado hoje não me fez diferença positiva alguma. Pelo contrário, me ligar ao que restou foi tão brutalmente errado que tão pouco deixou para mais um de meus futuros conflitos. Amadureça. Amadureci? Se isso significa que não vou mais poder crer no que era pra mim palpável e admirável, prefiro continuar imatura. No final das contas eu ainda acredito que alguém ainda virá me resgatar. Mesmo que esse alguém seja eu mesma. As perspectivas são boas. Estou cansada dessa vida séria. Vou me soltar, fechar os olhos e não me importar, posso?" Mariana Magre



terça-feira, 31 de maio de 2011

Lou Salomé

" Ouse, ouse... ouse tudo!! Não tenha necessidade de nada! Não tente adequar sua vida a modelos, nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém. Acredite: a vida lhe dará poucos presentes. Se você quer uma vida, aprenda... a roubá-la! Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer. Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso: algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!!"

 "Pois, sobretudo, resulta no indivíduo uma espécie de interação ébria e exuberante das mais altas energias criadoras do seu corpo e a exaltação mais alta da alma. Enquanto nossa consciência se interessa vagamente, habitualmente, por nossa vida psíquica, como por um mundo que conhecemos mal e que controlamos ainda pior, que ao que parece forma um com ela, mas com o qual normalmente ela se entende mal - eis que se produz subitamente entre eles uma tal comunhão de enervação que todos os seus desejos, todas as suas aspirações se inflamam ao mesmo tempo."
 

"Assim, para quem ama, o amor, por muito tempo e pela vida afora, é solidão, isolamento, cada vez mais intenso e profundo. O amor, antes de tudo, não é o que se chama entregar-se, confundir-se, unir-se a outra pessoa. (...) O amor é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer, tornar-se algo por si mesmo, tornar-se um mundo para si, por causa de um outro ser: é uma grande e ilimitada exigência que se lhe faz, uma escolha e um chamado para longe."
 

"só aquele que permanece inteiramente ele próprio pode, com o tempo, permanecer objeto do amor, porque só ele é capaz de simbolizar para o outro a vida, ser sentido como tal. Assim, nada há de mais inepto em amor do que se adaptar um ao outro, de se polir um contra o outro, e todo esse sistema interminável de concessões mútuas... e, quanto mais os seres chegam ao extremo do refinamento, tanto mais é funesto de se enxertar um sobre o outro, em nome do amor, de se transformar um em parasita do outro, quando cada um deles deve se enraizar robustamente em um solo particular, a fim de se tornar todo um mundo para o outro."

— Lou-Salomé

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Medo

Eu sou: 
A ruína da capacidade,
a frustração do ego,
A sucumbência da moralidade,
e a perversão da dignidade.

Eu sou o cárcere do homem livre,
e a libertação do receio.
O pesadelo de onde você não consegue acordar,
e a violência que não é capaz de controlar.

Eu transformo a inocência em maleficência,
e a civilidade em hostilidade.
Eu faço as lembranças agradáveis
se transformarem em memórias insuportáveis.

Se me controlam sou inofensivo,
mas se domino
rompo com todas as barreiras da prudência.

Já converti democracias em tiranias,
apegos em vícios,
e até; vítimas em réus.

Quem sou eu?
O MEDO, também conhecido como DESESPERO.
(Natália Bayeh)

domingo, 13 de março de 2011

As Duas Faces de um Crime (PRIMAL FEAR)

         
Ambicioso, liso de alto nível de defesa advogado Martin Vail (Richard Gere) defendeu a gagueira altar Kentucky garoto Aaron Stampler (Edward Norton), que foi acusado de um assassinato cruel de um arco-bispo católico nomeado Rushman.  Durante o interrogatório, Stampler revelaram que ele sofria de desordem de personalidade múltipla - e seu psicótico, sociopata alter-ego (chamado Roy) tinha tomado conta, entrou em erupção e atacaram o distrito assistente procurador procurador Janet Venable (Laura Linney), a ex-namorada Vail , durante o julgamento.
Stampler foi absolvido no julgamento por razões de insanidade, e depois a reviravolta chocante do filme foi revelado - como Aaron felicitou o seu advogado em sua cela, ele inadvertidamente disse-lhe que ele estava apenas fingindo ser louco e tinha realmente assassinado premeditadamente o sacerdote ("... cuttin 'aquele filho da puta? Rushman up que era apenas uma f - parentes "obra de arte)!") e sua namorada Linda .Além disso, ele admitiu que Roy era sua verdadeira personalidade (e responsáveis) e que "nunca houve um, conselheiro Aaron"(Filmsite- Melhores Diálogos do Cinema)

  
Melhores Diálogos:

Martin Vail- Por que jogar com o dinheiro quando você pode jogar com a vida das pessoas? Isso foi uma piada. /Tudo bem, eu vou te dizer.  Eu acredito na noção de que as pessoas são inocentes até que se prove a culpa./  Eu acredito em que a noção, porque eu escolho acreditar na bondade básica das pessoas. / Eu escolho acreditar que nem todos os crimes são cometidos por pessoas com más intenções./ E eu tento entender que algumas pessoas muito, muito boas, acabam  fazendo algumas coisas muito ruins.
 ...
Outro- Digamos que tenha um cliente que saiba que é culpado?
Martin Vail- Não! Nem nosso sistema de justiça nem eu ligamos para isso! Todo réu a despeito do que tenha feito, tem direito a melhor defesa que seu advogado possa oferecer.
 ...
Outro- E o que acha da verdade?
Martin Vail- Só há uma que interessa. Minha versão . A que elaboro na mente dos doze jurados. Se quiser pode dar outro nome: a ilusão da verdade."
        
          Sem dúvida alguma, uma das melhores tramas jurídicas da história do cinema,o filme estrelado por Richarde Gree mostra a Outra Face de um Advogado. Que diferente do que muitos pensam não é aquele ser frio, mal caráter e salvador dos "inimigos", e sim um profissional, muitas vezes, muito mais sensível e justo do que qualquer médico. É muito simples limitar-se a inocentar os justos, honestos e "de bem", difícil é ser capaz de revelar o lado inocente dos "culpados".

domingo, 16 de janeiro de 2011

Íris

É assustador perceber a velocidade com que o mundo exterior se transforma com uma simples mudança no mundo interior.
O brilho do sol ou o azul do mar não ficam tão cativantes quando dentro de seu crânio latejam dores.
A pele bronzeada e o corpo definido de um homem bonito perdem a graça quando o seu útero contrai e o sangue escorre entre suas pernas.


Quem usa óculos escuros pouco vê,
precisa diminuir a luz natural para conseguir enxergar.
Mas o mundo não é o mesmo por traz dessas lentes,
nem mesmo a frente de nossos olhos que por meio
da reflexão luminosa reproduz a imagem do que tecnicamente
se encontra diante de nós.

O que nossa visão nos permite enxergar não é de fato o que está ao nosso redor,
é preciso mais que isso para ler o mundo.  

(Natália Bayeh)

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Irresistível Inconveniente

Ele não tem hora pra chegar
nem tempo pra ir embora,
as vezes chega pra ficar,
não importa se vai incomodar.
Outras vezes vem de passagem,
fica alguns segundos e vai sem despedir. 
Presente em todas as fases da  vida.
Me da coragem pra fazer o que sempre quis,e querer o que não deveria ser cogitado.
Sempre ignorando o princípio da moralidade, leva os fracos a ilegalidade.
Tem razões que ele mesmo desconhece.
É de extrema precisão,
mas nunca foi preciso!
Já me disseram que é do Demônio
mas ele só me faz sentir perto do céu!
Sou mais ele e ele é mais Eu.
Seu nome?Nunca descobri o verdadeiro, 
mas os íntimos o chamam de Tesão! 
Natália Bayeh

sábado, 27 de novembro de 2010

Capitu é Inocente!

"Ocorreu nesse dia 23 de novembro, "no 2° Tribunal do Júri de Goiânia, o julgamento da personagem Capitu, da obra Dom Casmurro, de Machado de Assis, acusada por seu marido Bentinho, de adultério com seu melhor amigo, Escobar. O evento é uma iniciativa da Academia Goiana de Lestras (AGL), em parceria com o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO). A sessão conta com um advogado de defesa, função designada ao escritor e atual presidente da AGL, Hélio Moreira. Já a acusação é feita pelo imortal da mesma academia, Eurico Barbosa.O presidente Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) , desembargador Paulo Teles, que atua na função de juiz."
O evento foi uma iniciativa da Academia Goiana de Lestras (AGL), em parceria com o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) e teve como objetivo proporcionar o debate cultural acerca da famosa obra de Machado de Assis aproximando, mais uma vez, o Judiciário da sociedade. Assim como um júri real comum, o de Capitu contou com juiz, réu, promotor, defesa e dos jurados. Por essa razão, a convite da AGL, fizeram parte do Conselho de Sentença os acadêmicos Geraldo Coelho Vaz, Maria Augusta de Sant’ Anna Moraes, César Baioch e o homenageado, Gabriel Nascente, assessor cultural do TJGO.

O CASO

Dom Casmurro, uma das obras mais famosas de Machado de Assis foi publicada em 1900 e tem como narrador Bento Santiago, o Bentinho. Órfão de pai, cresceu sob os cuidados de sua mãe, Dona Glória, que desde seu nascimento o prometera à vida sacerdotal em cumprimento de uma promessa, onde ela jurara a Deus que se concebesse um novo herdeiro, após o primeiro filho morrer no parto, o entregaria ao seminário, fato que anos mais tarde ocorrera. Porém, o sacerdócio não atraia o jovem Bentinho, já que seu desejo era se casar com sua vizinha Capitolina, a Capitu. No seminário, Bentinho conhece aquele que se tornou seu melhor amigo, Escobar, e, após algum tempo, ambos abandonam os estudos clericais. Bento estuda direito em São Paulo e se casa em 1825 com o amor de infância, e seu companheiro, com a amiga de Capitu, Sancha.
Do matrimônio de Bentinho e Capitu nasce Ezequiel e do casamento de Sancha e Escobar, nasce uma menina chamada Capitolina, em homenagem a Capitu. Pouco tempo depois, Escobar morre afogado, e durante seu enterro, Bentinho julga estranha a forma como a esposa contempla o cadáver. A partir deste episódio, os ciúmes do narrador cresce e ele passa a perceber cada vez mais características do filho semelhantes às do amigo falecido, levando-o a ter certeza que sua mulher o traíra e que Ezequiel, na verdade, era fruto de uma aventura de Capitu com Escobar. Bentinho chega a planejar o assassinato da esposa e da criança, seguido pelo seu suicídio, mas não tem coragem.
O ciúme do narrador era tão intenso, que cumulou na separação do casal. Capitu e Ezequiel viajam para a Europa, lugar onde anos depois ela falece. Ezequiel, já moço, volta ao Brasil para visitar o pai, que constata a veemente semelhança com seu antigo companheiro de seminário. O rapaz volta para a Europa, onde logo falece e Bentinho, conhecido por Casmurro pelos vizinhos, por consequência de seu fechamento, afoga-se cada vez mais em dúvidas e amarguras, motivo que o levou a escrever sua biografia.


A ACUSAÇÃO

Já a acusação, feita pelo imortal da mesma academia, Eurico Barbosa, é de que a culpa de Capitu seria evidente. A tese principal da promotoria foi sustentada em diversos clássicos literários mundialmente famosos, como Madame Bovary de Gustave Flaubert e principalmente nas obras machadianas que constantemente abordam o tema adultério. Uma delas é conto “Missa do Galo”, onde Conceição, uma mulher casada, seduz Nogueira, de apenas 17 anos.
O promotor asseverou ainda que Machado de Assis jamais revelou a “sentença” de Capitu, pois, caso contrário, Dom Casmurro perderia seu sentido e não haveria discussão dessa obra. Porém, ele enfatizou ser “escravo das evidências” e acredita que essas são maiores que as ambiguidades contidas no livro. Por essa razão, segundo ele, é impossível acreditar na inocência da personagem.

A DEFESA

Durante o debate, a defesa, representada pelo escritor e atual presidente da Academia Goiana de Letras (AGL), Hélio Moreira, argumentou que o narrador da história era ao mesmo tempo personagem da obra e advogado e que, por esse motivo, conduziu a história à sua maneira, por meio da sua versão. Na história, Capitu é acusada por Bentinho de traí-lo com seu melhor amigo, Escobar.

A SENTENÇA

A ansiosa resposta para a pergunta “Capitu traiu ou não Bentinho?” foi dada, depois de quase 4 horas de discussão histórica, pelos sete jurados que fizeram parte do julgamento fictício de Capitu, personagem da obra principal de Machado de Assis, realizado nesta terça-feira (23), no 2º Tribunal do Júri de Goiânia. Por entender que não existia provas ou fatos reais que comprovassem a traição, o júri, que terminou por volta das 19h30, absolveu Capitu pelo crime de adultério, previsto na época do fato e anteriormente no Código Penal de 1940 (artigo 240), com pena de 15 dias a 6 meses de prisão, mas revogado pela Lei 11.106, de 2005."

Texto: Myrelle Motta e Maria Amélia Saad


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Desinformação e Ilações Levianas

Marilena Chauí, professora de filosofia da USP

"A classe média urbana, que está apavorada com a diminuição da desigualdade social e que apostou todas suas fichas na ideia de ascensão social e de recusa de qualquer possibilidade de cair na classe trabalhadora. Ao ver o contrário, que a classe trabalhadora ascende socialmente e que há uma distribuição efetiva de renda, se apavorou porque perdeu seu próprio diferencial. E seu medo, que era de cair na classe trabalhadora, mudou. Foram invadidos pela classe trabalhadora." 

"Desapareceu o compromisso mínimo com a verdade, o compromisso mínimo com a informação. É uma coisa de partido, puramente ideológica, perversa, de produção da mentira. (...) A desinformação. Isso não serve para a democracia."

"Alguém tinha de vir das classes trabalhadoras para dizer o que precisa fazer no Brasil. Os governos anteriores sequer levavam em conta que isso (desigualdade social) existia." 
_Dr. Pedro Serrano, professor da PUC-SP

"Houve irregularidade, sim. Agora, transportá-la para o âmbito eleitoral para acusar Dilma é uma leviandade, e isso quem diz é o TSE."

"O problema é ficar um clima midiático como se tivesse presumindo como se a Dilma fosse culpada por tudo o que ocorre na máquina federal"
 

"É preciso tomar cuidado com certas ilações levianas que podem prejudicar o juízo da população nas eleições"

"É ilegítimo o discurso acusatório que procura mudar o resultado da urna"

"A ideia de você investigar é você proceder com racionalidade a apuração de algo que aconteceu no passado. Tem que ter uma certa racionalidade, ponderação. Não dá pra ir no ritmo da ansiedade eleitoral"

"Não houve aparelhamento maior do Estado Brasileiro do que no regime militar"



terça-feira, 3 de agosto de 2010

Prazer Assassino


Beleza, sucesso, liberdade, poder, inteligência, por alguma razão algumas pessoas associam essas palavras ao ato de fumar. Eu só queria desconecta-las dessa simbologia.
Beleza, 
O que tem de bonito em um hábito que vai deixar os seus dentes podres, os seus dedos queimados, e o seu sexo caído? 
Sucesso,
Que tipo de sucesso existe em viver menos e de forma mais degradante?
Liberdade,
Que tipo de liberdade existe em  fazer algo para se garantir, algo feito pelo senso comum? Que tipo de liberdade te torna escravo de algo(vício=escravidão)?
Poder,
Só se for poder causar aborto espontâneo, impotencia sexual...
Inteligência,
Eu duvido muito que existe alguma inteligência no ato de usar um produto que danifique cada orgão do seu corpo e que seja o responsável por uma morte a cada seis segundos.

O cigarro em números.
*O cigarro matou mais no século 20 que todas as guerras somadas: foram 100 milhões de vítimas, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).
 *O fumo mata 3,5 milhões de pessoas no mundo ao ano, número superior à soma das mortes provocadas pelo vírus da Aids, pelos acidentes de trânsito, pelo consumo de álcool, cocaína e heroína e pelo suicídio.
*No Brasil, todo ano, morrem 80 mil pessoas de doenças relacionadas ao fumo, quase o dobro das vítimas de homicídio no país.
*Em 2020, as mortes por ano deverão atingir a casa dos 10 milhões, se nada mudar até lá.
*Para cada dólar arrecadado na indústria do tabaco, outros cinco são gastos para a cobertura das
*O Brasil é o quarto maior produtor mundial de fumo, e o sexto maior mercado de cigarros do Planeta.

*No Brasil, um terço da população adulta fuma: 11,2 milhões de mulheres e 16,7 milhões de homens. A maioria dos fumantes (90%) fica dependente da nicotina entre 15 e 19 anos de idade.
*O fumo é responsável por 85% das mortes por doenças pulmonares obstrutivas, como o enfisema, e por 25% das mortes por doenças coronarianas, como o infarto, e das doenças cerebrovasculares, como o derrame. 
*Não é um prazer qualquer que está na mira - é um prazer que mata.

"Fumar é ser escravo do tabaco", campanha antitabagista e moralista na França.
“Para o principiante, fumar um cigarro é um ato simbólico. Eu não sou mais o filhinho da mamãe, eu sou durão, sou um aventureiro, não sou quadrado... À medida que o simbolismo psicológico perde a força, o efeito farmacológico assume o comando para manter o hábito...”
"...o fumante, além de suicida involuntário, é incendiário porque mais de 40% (quarenta por cento) dos incêndios no mundo são provocados por causa dos restos de cigarros acesos."
"O cigarro nada mais é que um pedaço de papel enrolado com fumo dentro, fumaça de um lado e um idiota do outro."(Mestre Nelci Silvério)



O primeiro episódio da ultima temporada da série jurídica Boston Legal, ou Justiça sem Limites, tratou de um tema raramente abordado, o tabagismo. No referido episódio o protagonista, o advogado Alan entra em uma luta jurídica contra a indústria de tabaco, pedindo indenização à sua cliente cujo pai falecera vítima de um câncer pulmonar decorrente do uso do cigarro.
O que me chamou a atenção no episódio alem da ousadia do tema, foi o brilhantismo do roteiro que destacou-se na retórica usada pela personagem principal.
Em sua argumentação diante do júri Alan faz as seguintes alegações:
_As companhias de tabaco especializam-se em duas coisas; fazer as pessoas ficarem viciadas em cigarros e prolongar esse vício.
 _Você não faz uma coisa pelo seu corpo por alguma razão, você faz porque não consegue parar.
 _A empresa do tabaco gasta bilhões de dólares em campanhas anti-cigarro. Que tipo de industria gasta seu dinheiro desencorajando o publico em comprar o seu produto? Esses estudos tenta achar novas formas de fazer as crianças fumarem. Crianças que vêem os pais fumando tem 36% mais chance de gostar de fumar.lpo por alguma raser algo para se garantir, algo feito pelo senso comum duto?:
_Cigarros com gosto de chocolate, menta, chiclete, para atrair as crianças.
_Cigarros matam mais que homicídios, suicídios, acidentes de carros e drogas ilícitas.
_Um produto que usado legalmente mata 1/3 dos seus consumidores.
_Uma morte a cada seis segundos.
_A vítima fumou cigarros por 15 anos teve um câncer e morreu. Todo mundo conhece alguém que fumava e morreu de câncer. Mas a emoção não tem lugar no tribunal.
_A vitima tinha 11 anos quando começou a fumar, em 1948.
_Nos últimos anos eles aumentaram as substancias viciantes do cigarro em cerca de 11,5%, aumentando a absorção de nicotina, basicamente o mesmo mecanismo usado no crack com a cocaína.
_Ah, o cigarro pode causar câncer mas não esse especifico câncer... Pode ter sido um fator genético...
_Fumantes nos filmes geram 400mil fumantes adolescentes por ano.
_Eles sempre acham novas maneiras de atrair mais consumidores. Porque quando se tem um produto que mata os seus consumidores, a única forma de sobreviver é buscando outros consumidores.
_Eles usam perfis sócias e pscicologicos para buscar fumantes por grupos.
_Em 2005 eles gastaram mais de 15bilhoes com propagandas e promoção.
_E eles ainda tem a ousadia de dizer que se preocupam com campanhas anti-tabaco.
_É assim que uma sociedade com consciência age?
_Não se pode entender porque um produto como esse ainda é legalizado.
_Eles danificam cada órgão do nosso corpo.
_Porque é um pais livre? Cada um tem liberdade de fazer o que preferir?
_E que democracia permite uma morte a cada 6 segundos?
_Como alguém pode defender uma coisa dessas?
_Como uma advogada protetora da justiça pode defender isso:?
_Como a sociedade consegue tolerar isso?
_As pessoas vem fumando dia após dia, e morrendo dia após dia e a industria do tabaco vem ficando rica a mais rica.
(esse foi o discurso final do advogado Alan, não está 100% fiel porque fui eu que traduzi)

terça-feira, 29 de junho de 2010

Obrigação de fazer!

TRECHO DO DEPOIMENTO DA REQUERENTE

...Com o mestre RM a minha pessoa tem à mais pura boa-fé objetiva. Dentre as  intenções jurídicas tenho; a prática de conjunção carnal, a execução de ato libidinoso, a exceção material de vestuário, o regime integral de corpos. Todos interesses de ordem absoluta de total cuja União é a única entidade competente.
Ao lado do professor  RM eu me submeto ao cárcere privado, cumpro pena privativa de liberdade, me caso em regime universal de bens e me esqueço totalmente da eticidade na relação professor-aluno.
Nas aulas do ilustríssimo mestre RM eu ignoro o princípio da moralidade e me transformo na parte interessada instantaneamente, imagino as cabíveis providências preliminares  sem necessidade de contestação.
Quando submetida a avaliação pelo mestre professor RM converto rapidamente a minha incapacidade relativa em competência absoluta.
Com o referido mestre, a minha pessoa física faria todos os tipos de sociedade, sejam de objeto lícito ou ilícito, ignorando a natureza de sua atividade.

DESPACHO 

...Considerando a notável boa-fé  objetiva da requerente assim como sua reputação ilibada, declaro pertinentes todos presentes argumentos da citada. E decreto, como decretada tenho o mandado de intimação  em que intimo o ilustríssimo mestre RM cumprir sua obrigação de fazer todos os atos solicitadas pela requerente que submete a própria integridade física a administração de seu mestre, que em meu entendimento, possui as devidas qualificações.                                                                   
 PUBLIQUE-SE!CUMPRE-SE
 INTIME-SE!
INOCÊNCIA AGARRAIS REIS
Juíza de direito da 6ª Vara Mistical de Marte

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Donjuanismo

"Don Juan é um personagem literário tido como símbolo da libertinagem. Segundo Jung, para quem qualquer forma de arte, assim como os mitos, são veículos para a expressão do inconsciente coletivo, Don Juan pode representar nossos arquétipos (Walter Boechat - veja mais sobre o filme). Trata-se de um padrão de personalidade caracterizado por uma pessoa narcisista, enamorada , inescrupulosa, amada e odiada e que faz tudo valer para a conquista de uma mulher.
O donjuanismo representa um protótipo particular de comportamento humano, interpretações psicanalíticas sobre o filme Dom Juan de Marco, interessa aqui apenas caracterizar um tipo de conduta atual; a inclinação que as pessoas têm para liberdade sexual explícita. A característica principal do que se pode chamar hoje de donjuanismo, seria uma forte compulsão para sedução, entretanto essa ocorrência não é isolada nem única na personalidade da pessoa, mas reflete sim uma estrutura social e comportamental especial.
Descreve-se o donjuanismo como uma personalidade que necessita seduzir o tempo todo, que aparentemente se enamora da pessoa difícil mas, uma vez conquistada, a abandona. As pessoas com esse traço não conseguem ficar apegados a uma pessoa determinada, partindo logo em busca de novas conquistas.
As pessoas com essas características são os anarquistas do amor (Sapetti), tornando válidos quaisquer meios para conquistar, entretanto, os sentimentos da outra pessoa não são levados em conta. Aliás, Foucault enfatiza essa questão ao dizer que Don Juan arrebenta com as duas grandes regras da civilização ocidental, a lei da aliança e a lei do desejo fiel.
Para o Donjuan só interessa o instante do prazer e o triunfo sobre sua conquista, principalmente quando a presa de seu interesse tem uma situação civil proibida (casada, freira, irmã ou filha de amigo, etc). Carlos Fuentes, alega ao seu Don Juan a frase: "Porque nenhuma mulher me interessa se não tiver um amante, marido, confessor ou Deus, ao qual pertença ...".
O aspecto de desafio mobiliza o Donjuan, fazendo com que a conquista amorosa tenha ares de esporte e competição, muitas vezes convidando amigos para apostas sobre sua competência em conquistar aquela mulher.
Por outro lado, segundo Kaplan, deve haver significativos sentimentos homossexuais latentes desses indivíduos. Esse autor considera que, levando para a cama a mulher de outro, o Donjuan estaria inconscientemente se relacionando com o marido, motivo maior de seu prazer. Tanto que é maior o prazer quanto mais expressivo é o marido ou namorado traído.
O narcisismo (traço feminóide) dessas pessoas é uma das características mais marcantes, ao ponto delas amarem muito mais a si mesmas que a qualquer outra pessoa conquistada.
Outros autores acham o donjuanismo um excesso do complexo de Édipo, ou fixação na mãe, já que muitos deles não constituem família com nenhuma de suas conquistas e acabam vivendo para sempre com suas mães.
Nos casos mais sérios a inclinação à sedução pode adquirir caráter de verdadeira compulsão, tal como acontece no jogo patológico. De certa forma, a conquista compulsiva do Donjuan serve-lhe para melhorar sua sensação de segurança e auto-estima, entretanto, uma vez possuído o que desejava, já não o deseja mais.
Em alguns casos o Donjuan começa a se desestimular com a conquista, quando percebe que a mulher conquistada já está apaixonada por ele, ou ainda, pode nem haver necessidade do ato sexual a partir do momento em que ele percebe que a mulher aceita e deseja o sexo com ele. Por outro lado, se a mulher é indiferente ou não cede à sua sedução, o Donjuan se torna mais obstinado ainda."

Donjuanismo feminino:   

"Não há designação satisfatória para descrever a mulher que preenche os requisitos do donjuanismo, mas elas existem indubitavelmente. São também pessoas movidas pela compulsão da conquista do outro, pela inclinação ao relacionamento impossível, seja com homens mais velhos ou muito mais novos, casados, padres, enamorados de outras mulheres, enfim, pessoas que oferecem alguma condição de desafio.
No donjuanismo feminino, tanto quanto no masculino, não há necessidade invariável de concluir a conquista através do ato sexual. Basta a mulher perceber que o objeto da conquista está, digamos, aos seus pés, que a motivação para continuar o relacionamento se desvanece."

Ballone GJ - Síndrome de Don Juan e "Ficar com" - in. PsiqWeb

                                            Frases de Don Juan:

"O primeiro beijo,seja isso bem claro,não o dão os lábios mas os olhos.

Há apenas quatro questões na vida. O que é sagrado? De que é feita a alma? O que vale a pena ser vivido e qual é o motivo pelo qual vale a pena morrer? A resposta é a mesma para todas: apenas o amor.

... essa teria sido uma boa ocasião para mentir, mas a verdade é um hábito terrível. 
Você nunca assumiu a responsabilidade de estar nesse mundo insondável. Só há uma coisa errada em você...pensa que tem muito tempo. Se não pensa que sua vida vai durar para sempre, o que é que está esperando? Por que a hesitação em modificar-se?Um alma nascida no paraíso se divide em espíritos gêmeos e caem na terra como estrelas cadentes, e sobre oceanos e continentes uma força magnética as unirá em uma só.


Alguns não compartilham de minha percepção."

 O Donjuanismo,

Se amar bastasse, as coisas seriam simples. Quanto mais se ama, mais se consolida o absurdo. Don Juan não vai de mulher em mulher por falta de amor. É ridículo representá-lo como um iluminado em busca do amor total. Mas é justamente porque as ama com idêntico arroubo, e sempre com todo o seu ser, que precisa repetir essa doação e esse aprofundamento. Por isso, cada uma delas espera lhe oferecer o que ninguém nunca lhe deu. Em todas as vezes elas se enganam profundamente e só conseguem fazê-lo sentir necessidade dessa repetição. "Por fim", exclama uma delas, "te dei o amor." Não surpreende que Don Juan ria dela: "Por fim? Não" - diz ele -, "outra vez." Por que seria preciso amar raramente para amar muito. Don Juan está triste? Não é verossímil. Quase não vou apelar para a crônica. Esse riso, a insolência vitoriosa, os pulos e o gosto pelo teatro são coisas claras e alegres. Todo ser saudável tende a se multiplicar. Don Juan também. Mas, além do mais, os tristes têm duas razões para estar tristes, eles ignoram ou eles têm esperança.

por Albert Camus
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