Nunca tive facilidade em medir e mediar os meus
eus em tempos diversos. Entender a uniformidade individual separada por
um lapso temporal nunca foi algo assimilado pela minha consciência. Talvez por
não se tratarem do mesmo ser. Não são indivíduos independentes, mas
interdependentes.
Poderiam,
seres tão dissemelhantes e peculiares serem o
mesmo? Ainda que seja incontestável o fato de serem oriundos da soma de
memórias uns dos outros?
Nem lembranças, pensamentos ou mesmo ideias
escapam dessa disparidade. Antigas memórias perdem o foco, novos pensamentos
tomam lugar dos antigos e até mesmo, ideologias se reformulam. Definitivamente, não se trata
do mesmo ser.
Apesar de
todas essas dúvidas e questionamentos, chamar de Eu aquela garotinha de oito
anos, me é mais razoável do que estranho. Mas o razoável, proveniente de
elucidações científicas e filosóficas, nem sempre nos remate a conclusões
aceitáveis ou digeríveis.
Minha
capacidade de amar seres diferentes daqueles que
me são refletidos no espelho coloca todos esses argumentos em contradição.
Surge uma forma diferenciada de auto-amor, em que o ser estimado e amado não é
somente o refletido no momento em que a luz penetra no espelho, mas aqueles que
nunca mais nele poderão ser observados.
Curiosamente,
adorar os antigos eus é incrivelmente mais fácil do que amar aquela que
representa a minha identidade no agora.
Todos
esses, são fatores determinantes pra que o “tempo” continue no rol de mistérios
distante de soluções lógicas ou ilógicas. Uma equação de resultado indefinido
nas dimensões conhecidas.
O que eu
sei é que não quero viver aspirando ser o que era, e não suporto a ideia de me
tornar alguém que não ama ter sido quem foi.
Como pode alguém ter medo de perder o que nunca ganhou
Vontade de comer o que nunca experimentou?Saudades de sentir o que nunca sentiu?
Porque talvez o nunca seja apenas referente a essa existência.
Poderiam ser essas as provas necessárias que os pesquisadores vêm buscando para justificar as outras formas de vida. A base científica da tão “mitológica” reencarnação!
A existência não se limita a vida no presente momento e é por isso que mesmo não tendo memória de quando vivemos esse amor extra existencial, temos em nós a imensa saudade de senti-lo. Porque ele está tatuado em nossa alma e grafado em nossos sentidos mais remotos.
Porque será que é tão difícil acreditar em algo tão simples e puro?
Porque uma ideia cultivada milenarmente soa tão mal aos ouvidos dos “atuais”?
Hoje eu vejo que eu realmente era uma garotinha bobinha, cheia de
vícios, anseios e expectativas forçadas. Nada que não fizesse parte do padrão
de garotas da minha idade. Mas a questão é justo essa, eu sempre estive muito
além de qualquer padrão. Não que eu estivesse maturidade precoce ou o espírito
antigo, nada parecido. O fato é que sempre mergulhei em minhas idades
com muito mais intensidade. Aos 14 me apresentava mais revoltada e extremista
do que qualquer adolescente complicada. Aos 20 não foi diferente, meu mundo passou a
ser visto de forma bemmais cognitiva
do que o daqueles ao meu lado. Meu poder já estava comprovado, mas minhas
capacidades começaram a ser questionadas, e sem que eu pudesse me defender me
vi perdida dentro da única certeza que sempre dominei, minha identidade. O meu
eu já não era mais certo. O meu universo particular se dividia entre vontades e
prudências, razões e acaso. O
que eu achava querer não era o que conseguia obter. Foi quando me vi diante do
que parecia ser a única solução para esse insuportável desconforto, o sentir me
tiraria do poço. Mas não tirou. Talvez porque não foi devidamente
correspondido, ou talvez porque não se tratava de algo puro, natural ou espontâneo,
mas de uma alternativa maquiada, imaginada e até condicionada. É dolorido admitir, mas o amor que acreditava
sentir nunca existiu de fato. Nenhuma ação cujo fim é o bem pode ser
considerada ruim. Apesar desse sentimento frustrado não ter me tirado das
profundezas, me deu forças para entender que eu precisava sair sozinha,
não seria salva por ninguém.
O amor ainda
é a vertente que me movimenta e foi ele que me tirou das sombras.
Mas não cheguei ao céu, estou bem distante disso, nem tenho a pretensão de
lá estar. Sei que isso acontecerá em dia e hora que desconheço como também sei
que para as trevas posso retornar. Mas não será mais um lugar desconhecido. É, não sou
mais a garotinha bobinha que espera pelo amor em qualquer esquina, talvez
apenas nas esquinas mais coloridas e diferenciadas. Já sei que não é algo que
eu deva buscar, simplesmente aguardar. Encontre-me quando puder, estarei
pronta!
Era como se eu enxergasse sem ver. Como se sua alma saísse do corpo e me descrevesse detalhadamente tudo que existe dentro de você.O seu sorriso não consegue esconder as caretas em seu interior.
Se sua alma pudesse falar, estaria gritando, gritos medonhos e instigantes, mais assombrosos do que quaisquer outros, porque ninguém pode escuta-los.
Como é sinistro saber que algumas das pessoas mais normais e dóceis, de aparência serena e boa possuem dores na alma, energias obscuras e trevas em suas profundezas.O que se vê nunca é o que se vê!
Eu queria poder contar, gostaria que pudessem acreditar e mais que isso, gostaria que também enxergassem o que eu vejo sem os olhos!
O mais dolorido nisso tudo, é não conseguir se contagiar com o doce sorriso das pessoas com buracos na alma.
Agora eu vejo o que não vi quando te olhei pela primeira vez. Enxergo as manchas escuras que contornam o seu ser. É enigmático, para não dizer assustador, pensar em como uma pessoa que me fez sentir tão bem é tão rodeada e envolvida de forças tão ruins.
Somos seres tão limitados, vemos o que nos é mostrado, sabemos o que nos ensinam, nada diferentes dos chipanzés que aprendem que é preciso bater palmas para ganhar bananas.Se conseguissemos enxergar além do 3D.
Eu não escolho as palavras elas me escolhem, surgem em minha mente, e quando não as deleto por incompatibilidade as pronuncio sem pensar no efeito que causarão, ou escrevo-as sem refletir se combinarão entre si.
São palavras e não devem ser meticulosamente medidas nem irresponsavelmente sorteadas, apenas amorosamente pronunciadas.
Não preciso de motivos que justifiquem a minha existência, nem de razões que legitimem a minha vida. O sucesso profissional não massageia o meu ego, bem como os relacionamentos sociais não contribuem para minha alegria. Mais uma vez a minha felicidade está pautada na minha capacidade de ser. Estou REPLETA DE MIM!
Muitas vezes deixo de reparar nos efeitos que me causa a sua ausência. Como muda meu modo de pensar, de agir, de respirar. Não sei se sou mais eu com ou sem você. Suas pequenas doses repercutem intensivamente no meu dia a dia. Minto, finjo não sentir sua falta, mas já não consigo disfarçar a abstinência que o meu corpo tem de você. Não sei se é vício, dependência psíquica, física ou espiritual, só desconheço solução melhor do que te engolir todos os dias.
Meus amigos dizem que não é bom pra mim, meus pais me proíbem de ignorá-lo, os estranhos não entendem seus motivos, mas só eu sei até onde consigo ir sem você. Nunca menosprezei seu potencial, suas contra-indicações não estão no meu perfil. Talvez seja por isso que insistem em dizer que tenho uma boa tolerância a sua droga.
Se não fosse por você eu ainda seria portadora de uma das melhores memórias fotográficas que se tem conhecimento, não me esqueceria do rosto de todas as pessoas que por mim passaram, lembraria com nitidez de todas as minhas falas dos dias anteriores e estaria sempre segura de que os dias realmente importantes jamais seriam esquecidos.
Eu demorei a perceber que era você o principal colaborador de alguns dos maiores males do meu ser.
Quando eu o abandonei, você gritou! E eu escutei! Sua ausência me levou a conhecer as profundezas da depressão. As lagrimas e o choro soluçado e desmotivado se tornaram rotina nos meus dias me levando a reconsiderá-lo em minha vida. Hoje sobrevivo com 1/6 de você, conseguimos ficar distantes por um dia inteiro. Ainda é o apego que me resta, o mal necessário que me salva do abismo da cataplexia!
No recente momento me flagro em súbito estado de contradição. Sinto-me como um ser estranho que não se adaptou ainda ao corpo que foi lhe dado. Necessariamente ao corpo, porque seria no mínimo bizarro estranhar um corpo ao qual se está inserido há mais de duas décadas, mas a condição a que esse corpo pertence.
À medida que os anos passam o meu ser se transforma intensivamente e passa por diferentes estágios de adaptação. No momento sinto como se meu eu estivesse passando por uma metamorfose psicológica e espiritual da qual o resultado ainda é desconhecido.
Surge um conflito com o antigo casulo que sofre um estagio de dificuldade de aceitação com a nova velha forma. Como se ainda não conhecesse por inteiro o ser que habita o outro lado do espelho, e embora os meus olhos não mintam refletindo de fato a imagem correspondente minha mente insiste em enxergar aquilo que se acostumou a ver, o estagio evolutivo antessente ao atual.
Sinto como nunca, uma intensa dificuldade de adorar esse novo eu como adorara os outros. Talvez devido ao fato de se tratar de uma desconhecida que anseia por novos cuidados e uma integração com os conterrâneos.
Mas devo dar boas vidas a essa recém-chegada, e devo dizer-lhe que espero do fundo do peito, ou de qualquer outra cavidade corpórea correspondente aos sentimentos, que ela seja amada, entendida, e idolatrada tanto ou mais que as anteriores. Farei o possível e o impossível para que isso ocorra da forma mais plena e sincera o possível.
Apesar de toda essa recente dificuldade de identificação comigo mesma, me sinto bem em perceber que algumas coisas não mudaram, como a agradável sensação de andar de bicicleta no sol, o gosto por imagens e desenhos modais, e a magicalidade que a dança exerce sobre o meu ser.
Já consigo perceber qualidades exclusivas dessa novata, sua escrita e indiscutivelmente mais madura e clara, com um vocabulário cada vez mais rico e aprimorado, sua capacidade de enxergar as situações por ângulos distintos e brilhantes, sem contar na falta de vitimização contínua, substituída pela adoção de atitudes mais prudentes e sensatas.
Me da coragem pra fazer o que sempre quis,e querer o que não deveria ser cogitado. Sempre ignorando o princípio da moralidade, leva os fracos a ilegalidade.
Beleza, sucesso, liberdade, poder, inteligência, por alguma razão algumas pessoas associam essas palavras ao ato de fumar. Eu só queria desconecta-las dessa simbologia.
Beleza,
O que tem de bonito em um hábito que vai deixar os seus dentes podres, os seus dedos queimados, e o seu sexo caído?
Sucesso,
Que tipo de sucesso existe em viver menos e de forma mais degradante?
Liberdade,
Que tipo de liberdade existe em fazer algo para se garantir, algo feito pelo senso comum? Que tipo de liberdade te torna escravo de algo(vício=escravidão)?
Poder,
Só se for poder causar aborto espontâneo, impotencia sexual...
Inteligência,
Eu duvido muito que existe alguma inteligência no ato de usar um produto que danifique cada orgão do seu corpo e que seja o responsável por uma morte a cada seis segundos.
O cigarro em números.
*O cigarro matou mais no século 20 que todas as guerras somadas: foram 100 milhões de vítimas, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).
*O fumo mata 3,5 milhões de pessoas no mundo ao ano, número superior à soma das mortes provocadas pelo vírus da Aids, pelos acidentes de trânsito, pelo consumo de álcool, cocaína e heroína e pelo suicídio.
*No Brasil, todo ano, morrem 80 mil pessoas de doenças relacionadas ao fumo, quase o dobro das vítimas de homicídio no país.
*Em 2020, as mortes por ano deverão atingir a casa dos 10 milhões, se nada mudar até lá.
*Para cada dólar arrecadado na indústria do tabaco, outros cinco são gastos para a cobertura das
*O Brasil é o quarto maior produtor mundial de fumo, e o sexto maior mercado de cigarros do Planeta.
*No Brasil, um terço da população adulta fuma: 11,2 milhões de mulheres e 16,7 milhões de homens. A maioria dos fumantes (90%) fica dependente da nicotina entre 15 e 19 anos de idade.
*O fumo é responsável por 85% das mortes por doenças pulmonares obstrutivas, como o enfisema, e por 25% das mortes por doenças coronarianas, como o infarto, e das doenças cerebrovasculares, como o derrame.
*Não é um prazer qualquer que está na mira - é um prazer que mata.
"Fumar é ser escravo do tabaco", campanha antitabagista e moralista na França.
“Para o principiante, fumar um cigarro é um ato simbólico. Eu não sou mais o filhinho da mamãe, eu sou durão, sou um aventureiro, não sou quadrado... À medida que o simbolismo psicológico perde a força, o efeito farmacológico assume o comando para manter o hábito...”
"...o fumante, além de suicida involuntário, é incendiário porque mais de 40% (quarenta por cento) dos incêndios no mundo são provocados por causa dos restos de cigarros acesos."
"O cigarro nada mais é que um pedaço de papel enrolado com fumo dentro, fumaça de um lado e um idiota do outro."(Mestre Nelci Silvério)
O primeiro episódio da ultima temporada da série jurídica Boston Legal, ou Justiça sem Limites, tratou de um tema raramente abordado, o tabagismo. No referido episódio o protagonista, o advogado Alan entra em uma luta jurídica contra a indústria de tabaco, pedindo indenização à sua cliente cujo pai falecera vítima de um câncer pulmonar decorrente do uso do cigarro.
O que me chamou a atenção no episódio alem da ousadia do tema, foi o brilhantismo do roteiro que destacou-se na retórica usada pela personagem principal.
Em sua argumentação diante do júri Alan faz as seguintes alegações:
_As companhias de tabaco especializam-se em duas coisas; fazer as pessoas ficarem viciadas em cigarros e prolongar esse vício.
_Você não faz uma coisa pelo seu corpo por alguma razão, você faz porque não consegue parar.
_A empresa do tabaco gasta bilhões de dólares em campanhas anti-cigarro. Que tipo de industria gasta seu dinheiro desencorajando o publico em comprar o seu produto? Esses estudos tenta achar novas formas de fazer as crianças fumarem. Crianças que vêem os pais fumando tem 36% mais chance de gostar de fumar.lpo por alguma raser algo para se garantir, algo feito pelo senso comum duto?:
_Cigarros com gosto de chocolate, menta, chiclete, para atrair as crianças.
_Cigarros matam mais que homicídios, suicídios, acidentes de carros e drogas ilícitas.
_Um produto que usado legalmente mata 1/3 dos seus consumidores.
_Uma morte a cada seis segundos.
_A vítima fumou cigarros por 15 anos teve um câncer e morreu. Todo mundo conhece alguém que fumava e morreu de câncer. Mas a emoção não tem lugar no tribunal.
_A vitima tinha 11 anos quando começou a fumar, em 1948.
_Nos últimos anos eles aumentaram as substancias viciantes do cigarro em cerca de 11,5%, aumentando a absorção de nicotina, basicamente o mesmo mecanismo usado no crack com a cocaína.
_Ah, o cigarro pode causar câncer mas não esse especifico câncer... Pode ter sido um fator genético...
_Fumantes nos filmes geram 400mil fumantes adolescentes por ano.
_Eles sempre acham novas maneiras de atrair mais consumidores. Porque quando se tem um produto que mata os seus consumidores, a única forma de sobreviver é buscando outros consumidores.
_Eles usam perfis sócias e pscicologicos para buscar fumantes por grupos.
_Em 2005 eles gastaram mais de 15bilhoes com propagandas e promoção.
_E eles ainda tem a ousadia de dizer que se preocupam com campanhas anti-tabaco.
_É assim que uma sociedade com consciência age?
_Não se pode entender porque um produto como esse ainda é legalizado.
_Eles danificam cada órgão do nosso corpo.
_Porque é um pais livre? Cada um tem liberdade de fazer o que preferir?
_E que democracia permite uma morte a cada 6 segundos?
_Como alguém pode defender uma coisa dessas?
_Como uma advogada protetora da justiça pode defender isso:?
_Como a sociedade consegue tolerar isso?
_As pessoas vem fumando dia após dia, e morrendo dia após dia e a industria do tabaco vem ficando rica a mais rica.
(esse foi o discurso final do advogado Alan, não está 100% fiel porque fui eu que traduzi)